Tecnicamente dá, mas você não emite nota fiscal nem cumpre o Decreto nº 7.962/2013, que pede o CNPJ na página. Para vender com regularidade, abra a empresa antes de publicar a loja.
Como criar loja virtual? Escolha uma plataforma de e-commerce, registre um domínio próprio, integre meios de pagamento e defina a política de frete. Com CNPJ, catálogo bem fotografado e as informações que o Decreto nº 7.962/2013 exige na página, a loja vai ao ar e, com poucos ajustes, já pode vender para fora.
A parte técnica ficou fácil. O que derruba loja nova é o que vem depois: frete que come a margem, cliente que desiste no checkout porque não achou o Pix e o primeiro pedido do exterior que trava porque ninguém sabia o código fiscal do produto. Este passo a passo cobre as duas fases, a abertura e a preparação para vender fora.
Você cria a loja em sete etapas, e a ordem importa: decisões de cadastro e de frete tomadas tarde viram retrabalho no catálogo inteiro.
O passo 4 é o que mais se faz pela metade. Parece detalhe.
Peso e medidas errados geram frete errado em todo pedido, e o código fiscal faz falta no dia em que a primeira venda internacional aparece.
A loja precisa mostrar quem vende, quanto custa de verdade e como desistir. O Decreto nº 7.962/2013, que regula o comércio eletrônico, exige em local de destaque nome empresarial, CNPJ, endereço físico e eletrônico, características do produto, preço com todas as despesas adicionais, como a entrega, e as condições da oferta.
O mesmo decreto obriga a loja a informar um meio claro de exercer o direito de arrependimento. Pelo art. 49 do Código de Defesa do Consumidor, o cliente que compra fora do estabelecimento pode desistir em 7 dias a contar do recebimento.
A terceira regra vem da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018): você coleta nome, endereço e CPF de cada cliente, então precisa de uma política de privacidade que diga o que faz com esses dados e com quem os compartilha, inclusive com a transportadora.
O custo de abrir é baixo; o de manter é que define o negócio. Plataforma, domínio e meios de pagamento são previsíveis, enquanto frete, devolução e marketing crescem com as vendas e precisam entrar no preço de cada produto.
A tabela separa os custos fixos dos que variam com cada pedido:
Item | Tipo de custo | O que observar |
Plataforma | Mensalidade, comissão por venda ou as duas | Plano barato com comissão alta encarece quando a loja cresce |
Domínio | Anual | O .com.br é registrado no Registro.br, com CPF ou CNPJ |
Meios de pagamento | Taxa por transação | Prazo de recebimento muda o fluxo de caixa |
Fotos e conteúdo | Inicial e por lançamento | Foto ruim custa mais em devolução do que em estúdio |
Frete | Por pedido | Frete grátis é desconto pago por você |
Marketing | Mensal | Sem tráfego, a loja existe e ninguém vê |
Loja virtual grátis existe, em geral como plano de entrada com limite de produtos ou comissão maior por venda. Serve para validar a ideia. Quando o faturamento passa a pagar a mensalidade, o plano pago costuma sair mais barato do que a comissão.
Escolha pela operação que você terá daqui a um ano, e não pela que tem hoje. Se o plano é vender para outros países, a plataforma precisa aceitar mais de uma moeda e idioma, calcular frete internacional e exportar os dados do pedido para a documentação de envio.
Os critérios em detalhe, com o que perguntar ao fornecedor da ferramenta, estão no guia de plataforma de e-commerce. Se você ainda está entendendo o modelo de negócio, o guia sobre o que é e-commerce dá a base.
E se a dúvida é entre loja própria e vitrine compartilhada, compare com o marketplace.
No Brasil, ofereça Pix, cartão de crédito parcelado e boleto. O Pix, criado pelo Banco Central, liquida na hora e costuma ter taxa menor, e o cartão parcelado ainda decide compra de ticket alto. Faltar um dos dois é perder venda no checkout. Teste o fluxo inteiro no celular e no computador, porque um campo mal configurado derruba o pedido sem que você perceba. Peça a duas pessoas de fora da empresa que comprem um item barato e contem onde travaram.
Para o cliente do exterior, a lista muda: cartão internacional, carteiras digitais usadas no país de destino e preço exibido na moeda dele. Confira com o intermediário de pagamento se ele aceita cobrança em moeda estrangeira e em quantos dias o valor convertido cai na sua conta.
Defina o frete pelo custo real por região e por faixa de peso, e só depois decida quanto repassar. As três opções comuns são cobrar o valor cheio, subsidiar parte ou oferecer frete grátis acima de um valor mínimo de pedido.
O valor mínimo é a ferramenta mais segura: ele aumenta o ticket médio e dilui o frete. O guia de frete para e-commerce mostra como montar a tabela sem perder margem.
Prepare cadastro, preço e documento antes de abrir o checkout para outros países. A venda em si é igual à doméstica; o que muda é que o pacote vira exportação e precisa sair com fatura comercial e classificação fiscal corretas.
Antes de anunciar fora, confira esta lista:
Do lado brasileiro, a exportação tem imunidade de ICMS e de IPI prevista na Constituição Federal (arts. 155 e 153), o que deixa o preço mais competitivo lá fora. O caminho da mercadoria até a saída do país, por remessa expressa ou processo formal, está no guia de exportação.
Tecnicamente dá, mas você não emite nota fiscal nem cumpre o Decreto nº 7.962/2013, que pede o CNPJ na página. Para vender com regularidade, abra a empresa antes de publicar a loja.
Pode, desde que a atividade esteja entre as permitidas para MEI e o faturamento respeite o teto da categoria. A venda para fora é uma exportação e sai com fatura comercial.
A configuração técnica cabe em poucos dias. O que alonga o prazo é o catálogo: fotos, descrições e cadastro de peso e medidas de cada produto.
Ajuda muito. Comece traduzindo as páginas dos produtos que você vai oferecer, o checkout e a política de devolução, porque é ali que o comprador estrangeiro decide.
Loja no ar, catálogo cadastrado e primeira venda internacional à vista: o que falta é um parceiro de envio que emita a documentação e mostre ao seu cliente onde está o pacote.
Com uma conta empresarial você cota, gera etiqueta e fatura comercial e acompanha cada remessa no mesmo painel. Abra sua conta DHL Express e trate o seu primeiro pedido do exterior como rotina, não como exceção.