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Golpe da taxa de importação: como identificar a cobrança falsa

Leendert van Delft
Leendert van Delft
Vice-Presidente de Programas Globais de Vendas, Marketing (Digital) e Comércio Eletrônico Global
9 minutos de leitura
Pessoa confere no celular uma cobrança recebida sobre uma encomenda
Neste artigo
A Receita não cobra por link, QR Code ou cartão
O tributo é pago no sistema de quem transporta a remessa
Dívida de encomenda não vai para SPC nem para Serasa
Pagou? Peça o MED do Pix em até 80 dias e registre BO

O golpe da taxa de importação começa com uma mensagem avisando que sua encomenda está retida e pede pagamento por link, QR Code ou Pix. A Receita Federal nunca liga nem manda cobrança para liberar encomenda, e não recebe tributo por link, QR Code ou cartão. Confira sempre no sistema do courier.

A mensagem chega justamente quando você está esperando um pacote. Ela traz seu nome, seu CPF e um código de rastreio parecido com o verdadeiro, e pede um valor pequeno, calculado para não levantar suspeita. Pagar leva menos de um minuto. Recuperar o dinheiro leva meses, quando dá.

Como funciona o golpe da taxa de importação?

A fraude imita o aviso de tributo. Você recebe um SMS, um e-mail ou uma mensagem em aplicativo dizendo que a encomenda internacional chegou ao Brasil e ficou retida na alfândega até o pagamento de uma taxa. O link abre uma página com a identidade visual copiada de uma transportadora ou do próprio governo.

A tela costuma exibir nome completo, CPF, data de nascimento e um histórico de rastreio inventado, montado para transmitir confiança. Em seguida, pede mais dados pessoais e emite um QR Code de pagamento. Fonte: Receita Federal, alerta sobre encomendas internacionais, setembro de 2026.

Quem paga costuma receber a segunda cobrança em poucas horas: armazenagem, multa, nova tentativa de entrega. O golpe vive dessa segunda parcela.

Existe também uma versão dirigida a quem vende. O criminoso se passa por cliente, alega que a transportadora cobrou uma taxa extra para liberar o pedido e pede o reembolso antecipado, com comprovante falso em anexo. O padrão é idêntico: uma cobrança que não aparece no sistema de ninguém.

O que a Receita Federal nunca faz?

Nunca liga nem manda mensagem de cobrança de pagamento para liberar encomendas, e não recebe pagamento de encomenda internacional por link enviado, QR Code, cartão de crédito ou cartão de débito. As duas afirmações são do próprio órgão, na página É Golpe?, da área de remessa postal e expressa. Fonte: Receita Federal, setembro de 2026.

Há um terceiro ponto, e ele derruba a ameaça preferida do criminoso. Débito de imposto de encomenda internacional não é negativado em SPC nem em Serasa, segundo a Receita Federal. Mensagem que fala em nome sujo por causa de um pacote é falsa por definição.

Como a taxa de importação é cobrada de verdade?

O tributo aparece no sistema de quem transporta a remessa, nunca num link recebido. Quando a compra sai de plataforma certificada no programa Remessa Conforme, o imposto já foi cobrado no fechamento do pedido e nada é pago na chegada. Fora do programa, a cobrança é emitida e quitada dentro do sistema da empresa de courier contratada, com prazo de 20 dias contados da emissão. Fonte: Receita Federal, agosto de 2026.

Os valores seguem o Regime de Tributação Simplificada. Na compra de pessoa física, o Imposto de Importação é zero até US$ 50 em plataforma certificada e de 60% acima disso, com dedução fixa de US$ 30, somado ao ICMS de 17% a 20% conforme o estado (Receita Federal, junho de 2026). O detalhe de cada faixa está no guia da importação via courier e do Regime de Tributação Simplificada.

A Lei nº 15.502, de 10 de setembro de 2026, autorizou o Ministério da Fazenda a fixar por ato próprio alíquota zero até US$ 50 e de 30% na faixa de até US$ 3.000, conforme a modalidade e a adesão a programa de conformidade. O ato que fixa os 30% ainda não saiu. Fonte: Planalto, setembro de 2026.

Na DHL, os únicos pagamentos pedidos por e-mail ou SMS são de impostos e taxas, e o processo inclui uma senha de uso único enviada ao contato cadastrado do destinatário antes de processar o pagamento (DHL, setembro de 2026).

Cobrança real e cobrança falsa: onde elas se separam?

A tabela reúne os cinco pontos em que a fraude se entrega, comparados com o procedimento em vigor em setembro de 2026.

Sinal

Cobrança legítima

Golpe

Como chega

Status no rastreio e aviso no sistema de quem transporta, com o número da remessa

SMS, e-mail ou aplicativo de mensagem, sempre com link de pagamento

Onde se paga

No site ou aplicativo do transportador, ou no site da loja quando há Remessa Conforme

Em página aberta pelo link, fora do domínio da empresa

Forma de pagamento

Meio oferecido dentro do sistema, com senha de uso único no caso da DHL

QR Code avulso, Pix para chave de terceiro, cartão digitado na página

Valor

Calculado pelo Regime de Tributação Simplificada, com memória de cálculo

Valor redondo ou baixo, sem detalhamento

Pressão

Prazo de 20 dias desde a emissão da cobrança

Devolução no mesmo dia, nome negativado, última chance

Como conferir se a cobrança é real em três passos?

  1. Abra o rastreio pelo número da remessa, digitando o endereço à mão, sem tocar no link da mensagem.
  2. Confira quem enviou: a DHL escreve de @dhl.com e de subdomínios como @express.dhl.com, de @dpdhl.com ou de @dhl-news.com, nunca de serviço de e-mail gratuito (DHL, setembro de 2026).
  3. Pague só dentro do sistema do transportador ou da loja, jamais em página aberta pelo link recebido.

O que cada status do rastreio quer dizer está no guia de rastrear encomenda internacional. Como a fatura é emitida, com os meios de pagamento aceitos, está em pagar sua fatura DHL.

Quais sinais denunciam a mensagem falsa?

Alguns detalhes se repetem em quase toda tentativa:

  • Remetente em serviço de e-mail gratuito, ou número de celular com prefixo estrangeiro.
  • Domínio parecido com o verdadeiro, com uma letra trocada ou um sufixo a mais.
  • Pedido de CPF, data de nascimento e número de cartão na mesma tela.
  • Chave Pix de pessoa física como destino de um tributo federal.
  • Urgência com hora marcada e promessa de devolver a encomenda ao exterior.
  • Cobrança referente a uma encomenda que você não comprou.

O que fazer se você já pagou?

Aja no mesmo dia, porque o dinheiro circula rápido. São quatro movimentos, nesta ordem:

  1. Peça a devolução ao seu banco pelo Mecanismo Especial de Devolução do Pix, criado para casos de fraude. O pedido precisa ser feito em até 80 dias da transação. Fonte: Banco Central, guia do MED.
  2. Registre boletim de ocorrência na delegacia de polícia civil, que é a orientação da própria Receita Federal para tentativa de fraude ou extorsão.
  3. Encaminhe a mensagem original para phishing@dhl.com quando ela usar a marca DHL, sem responder ao remetente.
  4. Troque as senhas digitadas na página falsa e acompanhe seu CPF nos meses seguintes.

Não pague a segunda cobrança. Ela é a continuação da primeira.

Por que a fraude cresce no fim do ano?

Porque o volume de encomendas sobe e a atenção cai. Em novembro e dezembro, muita gente espera mais de um pacote ao mesmo tempo, perde a conta de qual loja enviou o quê e passa a tratar qualquer aviso de entrega como plausível. O criminoso não precisa acertar o alvo: dispara em massa e espera a coincidência com uma compra real.

Soma-se a pressa. Quem comprou presente com prazo apertado aceita pagar uma taxa pequena para não arriscar a entrega antes do Natal, e é esse cálculo que a página falsa explora, combinando valor baixo com hora marcada.

A defesa vale o ano inteiro. Guarde o número de rastreio de cada compra num mesmo lugar, confira sempre pelo site do transportador e trate mensagem com link de pagamento como propaganda: não clique.

Quem importa pelo CNPJ corre o mesmo risco?

Corre, e o prejuízo costuma ser maior. Na operação empresarial, o golpe da taxa de importação troca de roupa: vira boleto de despachante, cobrança de armazenagem ou aviso de carga parada por divergência de classificação fiscal. O valor pedido é compatível com a operação, e por isso passa.

A defesa é a mesma, com um degrau a mais. Confira a cobrança no portal do transportador, compare com o número do processo e trate qualquer troca de dados bancários por e-mail como suspeita até falar com a pessoa responsável por telefone. Como o processo funciona do início ao fim está no guia de importação.

Perguntas frequentes sobre o golpe da taxa de importação

Não. A Receita Federal não recebe pagamento de encomenda internacional por link enviado, QR Code, cartão de crédito ou cartão de débito, e nunca liga nem manda mensagem de cobrança para liberar encomenda.

Abra o rastreio digitando o endereço do rastreador à mão e veja se existe cobrança em aberto no sistema de quem transporta a remessa. Se a cobrança só existe na mensagem que você recebeu, é golpe.

Não. Débitos de imposto de encomendas internacionais não são negativados em SPC ou Serasa, segundo a Receita Federal. Ameaça de nome sujo por causa de um pacote é sinal de fraude.

Provavelmente sim. Em plataforma certificada no Remessa Conforme o imposto é cobrado no fechamento do pedido, então não sobra tributo a pagar na chegada. Confirme no pedido, dentro do site ou do aplicativo da loja.

Dá para tentar. Peça a devolução ao seu banco pelo Mecanismo Especial de Devolução do Pix, em até 80 dias da transação, e registre boletim de ocorrência. Quanto mais cedo o pedido, maior a chance.

Sua empresa importa com frequência?

Operação que recebe carga toda semana precisa de um caminho único para conferir tributo, fatura e rastreio, em vez de depender do que chega por mensagem. Com uma conta empresarial, cada remessa tem número, documento e cobrança no mesmo lugar, e o time sabe onde olhar antes de pagar qualquer coisa.

Para começar, abra sua conta DHL Express.