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Importação: como funciona, etapas e custos para importar no Brasil

Leendert van Delft
Leendert van Delft
Vice-Presidente de Programas Globais de Vendas, Marketing (Digital) e Comércio Eletrônico Global
8 minutos de leitura
Equipe da DHL conferindo a documentação de uma carga no armazém, etapa que antecede a liberação da importação
Neste artigo
Quem pode importar e em qual formato
As nove etapas, do fornecedor à entrega
O que forma o custo total e o que mudou com a Lei nº 15.502/2026
Os erros que mais encarecem uma importação

Importação é a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional, com registro da operação junto à Receita Federal e pagamento dos tributos devidos. Na prática, ela acontece em três blocos: negociação com o fornecedor, transporte internacional e desembaraço aduaneiro. Só depois da liberação a carga segue para o endereço final.

Se você está começando a importar, o que costuma travar não é a compra em si. É a sequência: quem pode importar, qual documento vem primeiro, quanto o produto vai custar de verdade quando chegar e o que acontece se a carga cair para conferência física. Este guia organiza esse caminho na ordem em que ele acontece.

O que é importação, na prática?

Importar é comprar de um fornecedor fora do país e trazer a mercadoria de forma regular, declarando o que entra e recolhendo os tributos. A operação tem três formatos principais, e escolher o errado encarece o processo inteiro.

As três configurações mais comuns no Brasil são:

  • Importação direta (por conta própria): a empresa compra, importa e nacionaliza no próprio CNPJ. Mais controle e melhor custo por volume, mais responsabilidade operacional.
  • Importação por conta e ordem: uma trading executa o processo em nome da sua empresa, que é a real adquirente. Você mantém a titularidade da compra.
  • Importação por encomenda: a trading compra com recursos próprios e revende para você já nacionalizado. Menos exposição operacional, margem menor.

Existe ainda a diferença entre importação formal e simplificada. A simplificada atende remessas de menor valor, com procedimento mais enxuto. A formal é a via das operações comerciais recorrentes e exige habilitação prévia. Como a via simplificada funciona numa remessa expressa está no guia de importação via courier e Regime de Tributação Simplificada.

Quem pode importar: CPF ou CNPJ?

Pessoa física pode receber remessas internacionais para uso próprio, dentro dos limites da legislação, sem finalidade comercial. Isso resolve a compra pontual, não sustenta um negócio.

Para importar com regularidade e revender, o caminho é o CNPJ com habilitação no Radar, o cadastro que libera o acesso ao sistema aduaneiro. A habilitação tem submodalidades conforme a capacidade financeira estimada da empresa, o que define o limite de valor por operação.

Vale a comparação honesta: importar como pessoa física parece mais simples, mas você perde crédito de tributos, não constrói histórico com a Receita e fica sem instrumento para escalar. Se a importação virou parte do seu negócio, migrar para o CNPJ deixa de ser burocracia e passa a ser economia.

Quais são as etapas de uma importação, do pedido à entrega?

A ordem abaixo é a espinha dorsal de praticamente qualquer operação, do contêiner ao envio expresso de amostras.

  1. Seleção e qualificação do fornecedor. Verifique capacidade produtiva, certificações e histórico. Peça amostra antes de fechar volume.
  2. Negociação e definição do Incoterm. É aqui que se decide quem paga frete, seguro e tributos, e em que ponto o risco passa para você. O guia dos Incoterms explica cada termo.
  3. Verificação de exigências do produto. Classificação fiscal correta, necessidade de licença de importação e anuência de órgão regulador. A classificação parte do código HS do produto.
  4. Embarque e emissão dos documentos. Fatura comercial, packing list e conhecimento de transporte precisam estar coerentes entre si. Divergência aqui é o motivo mais comum de retenção. A lista completa está no guia de documentos para importação e exportação.
  5. Transporte internacional. Aéreo, marítimo, rodoviário ou expresso, conforme urgência, peso e valor agregado.
  6. Registro da declaração de importação no sistema aduaneiro, com os dados da carga e os tributos calculados.
  7. Parametrização e conferência. A declaração é direcionada para um canal, que define se haverá análise documental, verificação física ou liberação automática.
  8. Desembaraço aduaneiro e pagamento. Com a conferência concluída e os tributos recolhidos, a carga é liberada.
  9. Transporte doméstico e entrega. A mercadoria segue do ponto de entrada até o seu endereço ou centro de distribuição.

Quanto custa importar? O custo total que ninguém calcula na primeira vez

O erro clássico de quem começa é comparar o preço do produto no exterior com o preço no Brasil. O número que importa é o landed cost, o custo da mercadoria já entregue e nacionalizada. A conta completa, item a item, está no guia do custo total da mercadoria entregue.

Componente

Do que se trata

Valor da mercadoria

Preço negociado com o fornecedor

Frete internacional

Varia por modal, peso, cubagem e rota

Seguro de carga

Cobertura do trajeto internacional

Imposto de Importação

Alíquota conforme a classificação fiscal do produto

Demais tributos federais

Incidem na nacionalização conforme o produto e o regime

ICMS

Tributo estadual, com a alíquota do estado do importador

Taxas e despesas locais

Armazenagem, capatazia, honorários de despachante, transporte interno

Duas observações mudam o cálculo em 2026. Nas compras internacionais de pessoa física, a regra aplicada hoje pela Receita Federal é Imposto de Importação zero para remessas de até US$ 50 em plataforma certificada no Programa Remessa Conforme e 60% acima disso, com dedução fixa de US$ 30. O ICMS continua incidindo em todos os casos. Fonte: Receita Federal, junho de 2026.

Essa base legal mudou em setembro. A Lei nº 15.502, de 10 de setembro de 2026, autorizou o Ministério da Fazenda a fixar, por ato próprio, alíquota zero na faixa de até US$ 50 e de 30% na faixa de até US$ 3.000, conforme a modalidade de envio e a adesão a programa de conformidade. Enquanto o ato para a faixa de 30% não sai, vale a regra atual. Fonte: Lei nº 15.502, de 10 de setembro de 2026.

Para operações empresariais, a alíquota depende da classificação fiscal do seu produto e do regime aplicável, e é isso que precisa ser confirmado antes de fechar o pedido. Como o tributo é calculado está no guia de imposto de importação; na dúvida sobre enquadramento, fale com um despachante aduaneiro. Estimativa errada de alíquota é o que transforma uma margem projetada em prejuízo real.

O que são regimes aduaneiros especiais?

São tratamentos que suspendem ou reduzem tributos em situações específicas, sempre com condição e prazo. Os mais citados no dia a dia são o drawback, que desonera insumo importado destinado à produção de bem que será exportado, a admissão temporária, para bens que entram e depois retornam, e o entreposto aduaneiro, que permite armazenar mercadoria com suspensão de tributos.

Se a sua empresa importa insumo e exporta acabado, vale estudar drawback com um especialista. É a diferença entre pagar tributo que depois você tenta recuperar e não pagar desde o início.

Quais órgãos participam de uma importação?

A Receita Federal é a autoridade aduaneira e conduz o desembaraço. O registro da operação acontece no ambiente do Portal Único de Comércio Exterior, que reúne os sistemas de comércio exterior em um só lugar.

Dependendo do produto, entram órgãos anuentes: Anvisa para alimentos, cosméticos e produtos de saúde, Anatel para produtos com radiofrequência, Inmetro para itens com certificação compulsória, e o Ministério da Agricultura para produtos de origem animal e vegetal. Verificar isso antes do embarque evita carga parada em porto ou aeroporto.

Quanto tempo demora uma importação?

O prazo tem duas partes: o trânsito internacional e o tempo de liberação. O trânsito depende do modal escolhido, e o aéreo ou expresso reduz semanas em relação ao marítimo.

O tempo de liberação depende do canal de conferência e da consistência dos seus documentos. Declaração coerente e produto sem pendência de anuência tende a liberar rápido. Divergência de valor, classificação fiscal duvidosa ou falta de licença colocam a carga em análise, e aí o cronômetro passa a ser da autoridade, não seu.

Por isso não existe prazo garantido em importação, e desconfie de quem promete um. O que existe é uma faixa realista para a sua rota, que o seu operador logístico consegue estimar, e um conjunto de cuidados documentais que mantém você fora da fila da conferência física.

Quais erros mais encarecem uma importação?

Cinco erros respondem pela maior parte do dinheiro perdido por quem está começando:

  • Classificação fiscal errada. Muda alíquota, muda exigência de licença e pode gerar multa.
  • Valor aduaneiro mal declarado. Subdeclarar não é economia, é risco fiscal e retenção quase certa.
  • Ignorar anuência de órgão regulador. Descobrir isso com a carga no aeroporto custa armazenagem por dia.
  • Escolher o Incoterm por hábito. Cada termo redistribui custo e risco. O barato na cotação pode ser caro no total.
  • Documentos que não conversam entre si. Fatura, packing list e conhecimento de transporte precisam contar a mesma história.

Perguntas frequentes sobre importação

Não para receber uma remessa pessoal dentro dos limites legais. Sim para importar com finalidade comercial e regularidade, com CNPJ e habilitação no Radar.

Na direta, sua empresa é a importadora e conduz a operação. Na por conta e ordem, uma trading executa o processo em seu nome, e sua empresa segue como real adquirente da mercadoria.

Você precisa da classificação fiscal correta do produto e da alíquota vigente para ela. Para compras pessoais, a Receita Federal disponibiliza calculadora no portal de compras internacionais.

Na maioria dos casos, inconsistência documental, dúvida sobre valor ou classificação, e falta de licença ou anuência exigida para aquele produto.

Vale quando o produto tem valor agregado alto, giro rápido ou prazo crítico. O frete é maior, mas o capital fica menos tempo parado em trânsito e o custo de estoque cai.

Fontes

O próximo passo da sua operação

Importar bem é menos sobre encontrar o fornecedor mais barato e mais sobre controlar as variáveis que você consegue controlar: documento correto, Incoterm adequado, classificação fiscal confirmada e um parceiro logístico que enxerga a operação ponta a ponta.

Se você quer entender qual modal e qual estrutura fazem sentido para o seu volume, abra sua conta DHL Express e fale com um especialista sobre a sua rota.