A Reforma Aduaneira da UE representa uma mudança significativa no atual sistema aduaneiro europeu. O objetivo é modernizar a circulação de mercadorias, tornando os processos aduaneiros mais digitais e preparados para acompanhar a evolução do comércio internacional. Para as empresas que vendem para a União Europeia, estas alterações irão transformar gradualmente a forma como os dados aduaneiros são partilhados, como é assegurado o cumprimento das obrigações e como as mercadorias são desalfandegadas.
Na sequência do acordo político alcançado a 26 de março de 2026, a reforma está agora a avançar para a fase de implementação, que decorrerá ao longo dos próximos anos.
Compreender estas alterações desde já permite às empresas prepararem-se atempadamente, em vez de reagirem apenas quando as novas regras entrarem em vigor. Neste artigo, reunimos os contributos do painel de especialistas em matéria aduaneira da DHL Express, com uma visão prática sobre o impacto de cada alteração para as empresas que desenvolvem atividade internacional.
O artigo inclui ainda a perspetiva dos Estados-Membros da UE, através de Clara Van Hemelrijck, Conselheira de Alfândegas e Impostos Especiais de Consumo na Representação Permanente da Bélgica junto da UE, e Frank Heijmann, Conselheiro Aduaneiro na Representação Permanente dos Países Baixos junto da UE.
Calendário da Reforma Aduaneira da UE: o que acontece e quando?
Uma das principais características da Reforma Aduaneira da UE é que as alterações não entrarão todas em vigor ao mesmo tempo. A implementação será feita por fases ao longo de vários anos, dando às empresas, autoridades aduaneiras e operadores logísticos tempo para se adaptarem.
Isso não significa, no entanto, que as empresas possam esperar até à última hora. Começar a preparar-se desde já permitirá uma transição mais simples à medida que os novos requisitos forem sendo implementados.
O atual calendário de implementação da Comissão Europeia inclui os seguintes marcos:
- Até outubro de 2026: entrada em vigor prevista da Reforma Aduaneira da UE, com algumas regras muito limitadas a aplicar após a sua publicação.
- Por volta de outubro de 2027: entrada em aplicação de um conjunto mais abrangente de novas regras.
- 2028: abertura do EU Customs Data Hub para o comércio eletrónico.
- 2031: expansão da utilização voluntária do Data Hub.
- 2034: utilização obrigatória do Data Hub.
Embora algumas datas ainda estejam sujeitas ao processo legislativo final, a direção da reforma é clara. As empresas que acompanhem estes marcos e revejam antecipadamente os seus processos aduaneiros estarão mais bem preparadas para se adaptarem à implementação das novas regras.
Principais novidades: o novo EU Customs Data Hub
No centro da reforma está o EU Customs Data Hub, uma nova plataforma digital criada para modernizar a gestão da informação aduaneira em toda a UE.
Com o tempo, a plataforma deverá substituir a atual rede de sistemas informáticos aduaneiros nacionais por uma plataforma única e centralizada, promovendo uma abordagem mais consistente aos processos aduaneiros nos 27 Estados-Membros.
Para as empresas que enviam mercadorias para a UE, esta mudança poderá simplificar significativamente o comércio internacional. Em vez de interagir com vários sistemas aduaneiros, as empresas poderão submeter os seus dados através de um único portal, com a possibilidade de reutilizar determinadas informações em vários envios.
A Comissão Europeia espera também que o Data Hub contribua para reduzir a carga administrativa e agilizar os processos de importação.
Para as empresas que obtenham o estatuto de Trust and Check Trader, a utilização do Data Hub poderá, no futuro, permitir que determinadas mercadorias sejam desalfandegadas sem uma intervenção aduaneira ativa, facilitando a circulação de envios que cumpram os requisitos aplicáveis.
Trust and Check Trader: uma nova abordagem à relação com as autoridades aduaneiras
Uma das propostas mais relevantes da Reforma Aduaneira da UE é a criação do estatuto Trust and Check Trader.
Este novo modelo baseia-se no atual programa Authorized Economic Operator (AEO) e pretende reforçar a relação entre as autoridades aduaneiras e as empresas que demonstram um histórico sólido de conformidade, transparência e processos aduaneiros robustos.
Para as empresas elegíveis, os benefícios poderão ser significativos. Os Trust and Check Traders deverão ter acesso ao nível mais elevado de simplificação dos processos aduaneiros previsto pelo novo enquadramento, incluindo, em determinadas circunstâncias, a possibilidade de libertação das mercadorias sem intervenção aduaneira ativa.
Embora muitos dos detalhes práticos ainda venham a ser definidos durante a implementação, a direção é clara: as empresas que invistam hoje em processos sólidos de conformidade aduaneira estarão melhor posicionadas para beneficiar dos processos simplificados do futuro.
A nova EU Customs Authority
Outro elemento importante da reforma é a criação de uma nova autoridade aduaneira da UE, concebida para reforçar a coordenação e a uniformização das operações aduaneiras em toda a União Europeia.
Além de supervisionar o novo Customs Data Hub, esta autoridade será responsável por contribuir para o desenvolvimento de orientações, normas e materiais de formação comuns, reduzindo as diferenças na aplicação das regras aduaneiras entre os Estados-Membros.
As empresas também terão um papel neste processo. Através do Customs Advisory Group, representantes do setor privado poderão contribuir com conhecimentos especializados e recomendações sobre áreas como orientações, normas comuns e outras iniciativas que tenham impacto nas empresas.
Ao dar voz ao setor empresarial durante o desenvolvimento do novo enquadramento, a reforma poderá resultar em processos aduaneiros mais práticos e eficazes, alinhados com a realidade do comércio internacional.
E-commerce: um novo regime de penalizações
O e-commerce internacional transformou o comércio mundial, com milhões de encomendas de baixo valor a entrarem diariamente na UE. Mas este crescimento também tornou a fiscalização aduaneira mais complexa, uma vez que pequenos erros podem repetir-se em milhares de envios individuais.
Para responder a situações de incumprimento sistemático, a reforma introduz um regime de penalizações específico para o comércio eletrónico.
Para as empresas que vendem para a UE, a mensagem é clara: a qualidade e a precisão dos dados aduaneiros serão mais importantes do que nunca.
Fornecer descrições completas dos produtos, códigos SH corretos e um conjunto de dados aduaneiros preciso pode ajudar a reduzir o risco de atrasos, penalizações e outras perturbações.
À medida que os processos aduaneiros se tornam cada vez mais digitais e orientados por dados, as empresas com processos de conformidade sólidos estarão mais bem preparadas para manter as suas mercadorias em circulação.
Direitos aduaneiros de minimis: o que já mudou?
Uma das alterações mais relevantes para as empresas que enviam mercadorias de baixo valor para a UE foi a eliminação do limiar de isenção de direitos aduaneiros de minimis a partir de 1 de julho de 2026.
Anteriormente, as mercadorias com um valor igual ou inferior a 150 € podiam entrar na UE sem pagamento de direitos aduaneiros. Desde essa data, estes envios passaram a estar sujeitos a uma nova obrigação de pagamento de direitos aduaneiros. Para as empresas que vendem internacionalmente, isto significa que este custo adicional deve ser considerado nas suas operações.
Para as empresas de comércio eletrónico, esta alteração reforça a importância de dispor de dados de envio precisos e de compreender claramente os direitos e impostos aplicáveis.
É importante, no entanto, distinguir entre direitos aduaneiros e outros requisitos aduaneiros. A eliminação do limiar de isenção de direitos aduaneiros de minimis altera apenas a obrigação financeira associada aos direitos. Não elimina a necessidade de fornecer informação aduaneira correta, cumprir os requisitos de importação ou apresentar a documentação adequada.
Como preparar a sua empresa para as novas regras aduaneiras?
Embora o impacto total da Reforma Aduaneira da UE só fique mais claro à medida que a implementação avança, as empresas que desenvolvem atividade internacional já podem começar a preparar-se.
O primeiro passo é perceber de que forma as novas regras se aplicam ao seu modelo de negócio - nomeadamente, se as suas transações se enquadram na definição de vendas à distância, quando são devidos direitos e IVA e qual é a responsabilidade de cada interveniente no processo de importação.
Para as empresas de comércio eletrónico, isso significa analisar toda a jornada do cliente, desde o checkout e a definição do preço até ao desalfandegamento e à entrega.
Estabelecer acordos claros com fornecedores, parceiros logísticos e clientes pode ajudar a evitar dúvidas sobre quem é responsável pelos direitos e impostos, bem como pelos requisitos de conformidade.
Preparar-se antecipadamente é fundamental. As empresas que compreendam as suas obrigações, revejam os seus processos e garantam a precisão dos seus dados aduaneiros estarão mais bem posicionadas para se adaptarem quando o novo enquadramento entrar em vigor.
Em vez de esperar por auditorias aduaneiras ou problemas de conformidade para identificar falhas, este é o momento para reforçar e tornar mais resilientes as suas operações internacionais.
Como a DHL Express pode ajudar a sua empresa a preparar-se
Para as empresas, acompanhar os novos requisitos aduaneiros pode parecer complexo. Mas preparar-se não tem de ser.
Desde as alterações aos direitos aduaneiros de minimis introduzidas em julho de 2026 até à melhoria da qualidade dos dados aduaneiros e à preparação para a reforma mais abrangente, a DHL Express disponibiliza o conhecimento especializado, as ferramentas e a experiência internacional necessários para ajudar as empresas a manter os seus envios em circulação.
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