O que mudou para quem exporta do Brasil para o México em 2026?
Duas coisas, e nenhuma delas vem do USMCA.
A primeira é a reforma tarifária mexicana. Um decreto publicado no Diário Oficial da Federação em dezembro de 2025, em vigor desde 1º de janeiro de 2026, elevou o imposto de importação de 1.463 posições tarifárias para países com os quais o México não tem acordo comercial, com alíquotas que chegam a 50% em alguns produtos. A lista cobre os setores automotivo, têxtil, vestuário, plástico, siderúrgico, eletrodomésticos, alumínio, brinquedos, móveis, calçados, papel, motocicletas, reboques e vidro, segundo a Secretaría de Economía.
O Brasil não tem tratado de livre comércio amplo com o México. O que existe são acordos parciais no âmbito da ALADI, descritos pelo Siscomex:
- ACE-53, em vigor desde 2003, com preferências tarifárias recíprocas para cerca de 800 posições;
- ACE-55, o acordo automotivo entre Mercosul e México, com livre comércio de automóveis, veículos comerciais leves, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e as autopeças listadas, em 251 linhas tarifárias.
Quem exporta itens cobertos por esses acordos mantém a preferência. Fora das listas, vale a tarifa geral, que subiu. E há um detalhe que pega muita empresa de surpresa: a preferência do ACE-53 é uma margem percentual de desconto sobre a tarifa geral. Se a tarifa geral sobe, o valor pago com desconto também sobe. Recalcule o custo mesmo para itens cobertos.
A segunda mudança é de documentação. Para usar a preferência do ACE-53 ou do ACE-55, a mercadoria precisa cumprir a regra de origem do acordo e viajar com o certificado de origem no modelo da ALADI, emitido por entidade habilitada no Brasil. Sem ele, o importador mexicano paga a tarifa cheia. Classificação correta na NCM e no código HS e uma fatura comercial completa evitam a maior parte dos problemas na fronteira.
Comparando os três mercados, o quadro do exportador brasileiro em setembro de 2026 é este:
Mercado | Base do acesso brasileiro | O que muda com a revisão do USMCA |
Estados Unidos | tarifa geral mais tarifas adicionais sobre produtos brasileiros (Seção 301) | possível abertura de espaço onde produtos mexicanos ou canadenses perderem preferência |
México | ACE-53 (cerca de 800 posições) e ACE-55 (automotivo); fora disso, tarifa geral elevada em 2026 | pressão sobre insumos brasileiros em cadeias que exportam para os EUA |
Canadá | sem acordo em vigor; Mercosul e Canadá negociam um tratado | a busca canadense por diversificação pode acelerar a negociação com o Mercosul |