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Comex Stat: como pesquisar dados de exportação e importação para achar mercado

Leendert van Delft
Leendert van Delft
Vice-Presidente de Programas Globais de Vendas, Marketing (Digital) e Comércio Eletrônico Global
7 minutos de leitura
Profissional analisa dados de exportação do Comex Stat em notebook antes de escolher mercado
Neste artigo
Comex Stat reúne dados oficiais de comércio exterior desde 1997
Filtros por NCM, país, UF, via e URF, com FOB, kg e quantidade
Preço médio por quilo mostra quem paga por valor
Cuidado com mudança de NCM, FOB x CIF e dado preliminar

O Comex Stat é o sistema gratuito do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) que reúne as estatísticas oficiais de exportação e importação do Brasil desde 1997. Você filtra por produto (NCM), país, estado, via de transporte e período, e vê valor em dólar, peso e quantidade de cada fluxo.

O problema de quem quer exportar raramente é falta de dado. É não saber onde ele está e como ler. Antes de gastar com feira, viagem ou amostra, dá para descobrir em uma tarde quais países já compram o seu produto do Brasil, quanto pagam por quilo e se a demanda está subindo ou caindo.

O que é o Comex Stat e de onde vêm os dados?

O Comex Stat é a ferramenta oficial de consulta e extração das estatísticas de comércio exterior, mantida pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC. Os números saem das declarações registradas no Siscomex: cada exportação e cada importação viram uma linha da base, agregada por produto, país e mês.

A base geral cobre de janeiro de 1997 até o último mês completo. Entre 1989 e 1996, os dados estão numa seção histórica separada, em outra nomenclatura (a NBM), por isso não se misturam com a série em NCM. Na consulta feita em 21 de outubro de 2026, a última atualização era de 6 de outubro, com os dados de setembro. Fonte: API e documentação do Comex Stat, MDIC.

Comex Stat e Siscomex não são a mesma coisa. O Siscomex é onde a empresa registra a operação; o Comex Stat é onde o governo publica o resultado agregado, sem identificar empresa nenhuma.

Quais filtros e métricas o Comex Stat oferece?

A consulta geral permite combinar filtros e detalhamentos na mesma pesquisa. A tabela mostra os mais úteis para quem procura mercado e para que cada um serve.

Recorte

O que mostra

Para que serve na prática

NCM (8 dígitos)

O produto exato

Ver quem compra o seu item

SH4 ou SH6

Grupo de produtos do Sistema Harmonizado

Comparar com dados de outros países

Países e blocos

Destino da exportação ou origem da importação

Escolher mercado

UF do produto

Estado de origem da mercadoria

Ver quem já exporta da sua região

Via

Marítima, aérea, rodoviária e outras

Entender como o produto viaja

URF

Unidade da Receita por onde a carga saiu ou entrou

Mapear portos e aeroportos usados

As métricas são o valor em dólar FOB, o peso líquido em quilos e a quantidade estatística, que depende da NCM (unidades, pares, litros). Na importação aparecem também frete, seguro e valor CIF, que não existem na exportação.

Existe ainda a consulta por município, mais agregada: ela só detalha o produto até o nível SH4 e atribui a operação ao município do declarante, não ao do produtor. Uma trading de Santos que exporta café de Minas aparece em Santos.

Como pesquisar no Comex Stat, passo a passo?

O roteiro abaixo serve para qualquer produto. Como exemplo, pense num produtor de mel que quer saber para onde o mel natural brasileiro, NCM 0409.00.00, já é vendido.

  1. Acesse comexstat.mdic.gov.br e abra a consulta geral.
  2. Escolha o fluxo: exportação.
  3. Defina o período. Para tendência, pegue pelo menos os últimos cinco anos completos e marque a opção de ver por ano.
  4. Filtre pela NCM do produto. Se ainda não sabe o código, resolva isso antes com o guia de NCM, porque código errado devolve o mercado errado.
  5. Em detalhamento, escolha Países. Se quiser ver a concorrência interna, acrescente UF do produto.
  6. Marque as métricas valor FOB e quilograma líquido.
  7. Gere a consulta e baixe a tabela para trabalhar numa planilha.

Trocando o fluxo para importação, a mesma consulta mostra o outro lado. É útil para quem revende: mostra de onde o Brasil compra aquele produto e a que preço chega.

Como ler o resultado para escolher o destino?

O número que mais ajuda a decidir não aparece pronto na tela: é o preço médio por quilo, que você calcula dividindo o valor FOB pelo peso líquido. Ele mostra se aquele país paga por produto de valor ou compra commodity barata.

Um exemplo com dado oficial mostra por que olhar só o valor engana. Pela série do MDIC, o Brasil exportou US$ 14,87 bilhões em café em 2025, 31,1% a mais que em 2024. O volume, porém, caiu 18,0%, e o preço médio por tonelada subiu 60,0%. Quem lesse só o valor concluiria que a demanda explodiu; o que subiu foi o preço.

Para cada país candidato, olhe quatro coisas na sua planilha:

  • Tendência: o valor e o peso crescem ou caem nos últimos cinco anos?
  • Preço médio por quilo: está acima ou abaixo da média dos outros destinos?
  • Concentração: o país compra todo ano ou aparece num ano e some no outro?
  • Via de transporte: se o produto já viaja por via aérea para aquele destino, existe compra de lote pequeno e urgente.

Um país com valor pequeno, mas crescendo todo ano e pagando acima da média, costuma ser melhor alvo para uma PME do que o maior comprador, onde o preço é decidido por grandes contratos. Para o retrato do país inteiro, veja o que o Brasil exporta.

Quais erros mais distorcem a pesquisa?

O erro mais comum é comparar anos em que a NCM mudou. Quando o Sistema Harmonizado é revisado, códigos são abertos, fundidos ou extintos, e a série do seu produto pode ter um salto que não é mercado, é classificação. Se a curva dá um pulo estranho, verifique se o código existia nos anos anteriores.

Outros tropeços frequentes:

  • Ler a UF do produto como endereço da empresa exportadora.
  • Comparar valor FOB da exportação com valor CIF da importação, que inclui frete e seguro.
  • Tratar o mês corrente como fechado. Os dados preliminares são revistos na publicação consolidada.
  • Esquecer que o Comex Stat mostra só o comércio do Brasil. Para saber quanto um país importa do mundo inteiro, é preciso outra base, como a da ONU.

O Comex Stat tem painéis prontos e acesso por API?

Tem os dois. O Comex Vis, também do MDIC, traz visualizações prontas dos mesmos dados, boas para uma primeira olhada sem montar consulta. Para quem quer automatizar, a API do Comex Stat é aberta e devolve os mesmos filtros e métricas da tela, o que permite montar um painel interno que se atualiza todo mês.

Perguntas frequentes sobre o Comex Stat

Sim. A consulta, o download e a API são públicos e gratuitos, mantidos pela Secex do MDIC.

Não. As estatísticas são agregadas e não identificam exportadores nem importadores.

Uma vez por mês, com os dados do mês anterior, nos primeiros dias do mês seguinte. A data da última atualização aparece no próprio sistema.

FOB é o valor da mercadoria posta a bordo, sem frete e seguro internacionais. CIF soma frete e seguro, e no Comex Stat só existe para a importação.

Serve como ponto de partida, porque mostra os países que já compram o produto do Brasil. Para venda direta ao consumidor, combine com os critérios do guia encontre seu mercado de e-commerce.

Transforme a planilha em primeiro embarque

A pesquisa termina numa lista curta de dois ou três países. O passo seguinte é falar com compradores desses mercados e mandar amostra, com a operação montada pelo guia de exportação.

Quando a primeira amostra estiver pronta para sair, abra sua conta DHL Express e tenha o envio internacional da sua empresa pronto para o primeiro pedido.