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O que o Brasil exporta: principais produtos, destinos e tendências

Leendert van Delft
Leendert van Delft
Vice-Presidente de Programas Globais de Vendas, Marketing (Digital) e Comércio Eletrônico Global
7 minutos de leitura
Navio porta-contêineres carregado em porto brasileiro com exportações para o exterior
Neste artigo
Brasil exportou US$ 348,3 bi em 2025, recorde da série
Petróleo, soja, minério, carne bovina e café somam quase 43%
China levou 28,7%; manufaturado pesa mais nas Américas
Jan-set/2026: exportações crescem 10,4%, com Ásia e UE em alta

O que o Brasil exporta é, acima de tudo, petróleo bruto, soja, minério de ferro, carne bovina e café. Em 2025, o país vendeu US$ 348,3 bilhões em bens ao exterior, o maior valor da série, e a China comprou 28,7% do total. Os números são da Secretaria de Comércio Exterior do MDIC.

Saber o que o país vende não é curiosidade de almanaque para quem quer exportar. A pauta mostra onde já existe rota, comprador e infraestrutura, e onde o espaço para um fabricante pequeno é maior do que parece. O detalhe que muda a leitura está na diferença entre o que a estatística chama de indústria e o que de fato sai das fábricas.

Quais são os principais produtos exportados pelo Brasil?

Cinco produtos somaram quase 43% das exportações brasileiras em 2025: petróleo bruto, soja, minério de ferro, carne bovina e café. A tabela abaixo traz os maiores valores do ano entre os produtos que a Secex acompanha em série histórica, com a participação de cada um no total exportado. Fonte: MDIC/Secex, dados consolidados, outubro de 2026.

Produto

Exportado em 2025 (US$ bilhões)

Participação no total

Óleos brutos de petróleo

44,5

12,8%

Soja

43,5

12,5%

Minério de ferro

29,0

8,3%

Carne bovina

16,6

4,8%

Café

14,9

4,3%

Açúcares

14,1

4,1%

Óleos combustíveis

10,3

3,0%

Celulose

10,2

2,9%

Carne de aves

8,8

2,5%

Farelo de soja

8,6

2,5%

Milho

8,6

2,5%

O ano teve movimentos opostos. A carne bovina cresceu 42,5% em valor e o café, 31,1%, puxado por preço. O açúcar caiu 24,1%. Petróleo e soja ficaram praticamente estáveis em valor, com 1,0% a menos e 1,4% a mais, e a distância entre os dois foi de só US$ 1 bilhão. Com a pauta tão concentrada, a cotação de meia dúzia de commodities decide o resultado do ano.

A pauta é mesmo concentrada em commodities?

É, e mais do que a classificação oficial sugere. Pela divisão por atividade econômica do MDIC, a indústria de transformação respondeu por 54,1% das exportações de 2025, a indústria extrativa por 23,1% e a agropecuária por 22,3%. Lido assim, o Brasil parece um exportador industrial.

A conta muda quando você olha o que está dentro da transformação. Carnes, açúcar, celulose, farelo de soja e óleos combustíveis são classificados como produto industrial, porque passam por processamento. Somados, esses itens chegam a cerca de 21% de toda a exportação, quase 40% do que a estatística chama de indústria.

Outra lente confirma a leitura. Pela classificação por grandes categorias econômicas, bens intermediários foram 62,9% das vendas externas em 2025, combustíveis 15,9%, bens de consumo 15,4% e bens de capital só 5,9%. O Brasil vende principalmente insumo para a indústria dos outros.

Para onde o Brasil exporta?

A China é o destino de quase um terço de tudo o que o Brasil vende, seguida de longe por Estados Unidos e Argentina. Em blocos, a Ásia levou 43,0% das exportações em 2025, a União Europeia 14,3% e a América do Sul 12,4%. Fonte: MDIC/Secex, dados consolidados.

Destino

Exportado em 2025 (US$ bilhões)

Participação

China

99,9

28,7%

Estados Unidos

37,7

10,8%

Argentina

18,1

5,2%

Países Baixos

11,7

3,4%

Espanha

8,8

2,5%

México

7,7

2,2%

Canadá

7,3

2,1%

Chile

7,2

2,1%

Os Países Baixos aparecem alto por causa do porto de Roterdã, porta de entrada de soja, farelo e outros granéis que seguem para o resto da Europa. Para uma PME, isso significa que o número por país nem sempre mostra onde está o cliente final.

O que vende para cada mercado: commodity ou manufaturado?

Aqui está a informação mais útil para quem fabrica. O perfil do que o Brasil vende muda completamente conforme o destino. Para a China, a indústria de transformação foi só 22% das exportações de 2025; o resto foi soja, petróleo e minério.

Nas Américas, a lógica se inverte. Pelos mesmos dados do MDIC, produtos da indústria de transformação foram 94% do que o Brasil vendeu à Argentina, 87% das vendas ao México e 80% das vendas aos Estados Unidos. Em valor absoluto, os Estados Unidos compraram US$ 30,2 bilhões em produtos da transformação, mais do que a China e mais do que toda a União Europeia, que comprou US$ 23,6 bilhões.

Se você fabrica máquinas, peças, alimentos processados, cosméticos ou vestuário, o comprador natural está mais perto do que a manchete sobre a China faz parecer. As tarifas americanas sobre produtos brasileiros mexeram nessa conta, e o impacto por setor está no guia de tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros.

Quais são as tendências das exportações brasileiras em 2026?

As exportações cresceram 10,4% de janeiro a setembro de 2026, para US$ 284,65 bilhões, segundo o MDIC. Três movimentos explicam o ano.

  • O petróleo bruto cresceu 28,6% no acumulado e chegou a 15,1% da pauta, emparelhado com a soja, que também cresceu 14,9%.
  • A China ampliou as compras em 12,0%, a Índia em 85,5% e a União Europeia em 20,0%. Estados Unidos (6,5% a menos) e Argentina (18,5% a menos) compraram menos.
  • Entre os manufaturados acompanhados pela Secex, aeronaves cresceram 22,3% e carne de aves 20,7%, enquanto automóveis de passageiros caíram 18,0% e açúcar, 27,4%.

A leitura prática: a demanda asiática segue puxando o volume, e a Europa voltou a crescer como destino. Para a Europa, regras como o regulamento contra desmatamento pesam sobre café, soja e carne a partir de dezembro, e quem vende para lá precisa planejar a documentação junto com o pedido.

Como usar esses dados para escolher o seu mercado?

Use a pauta nacional como mapa, não como resposta. O passo seguinte é olhar o seu produto, pelo código NCM, e ver para quais países o Brasil já vende, com que volume e a que preço médio. Essa consulta é gratuita no Comex Stat, a plataforma oficial do MDIC, e o passo a passo está no guia do Comex Stat.

Com o destino escolhido, o caminho operacional (habilitação, documentos e modalidades) está no guia de exportação. Para os primeiros embarques, pequenos e frequentes, vale comparar a remessa expressa com a exportação formal, explicadas em exportação por courier ou formal.

Perguntas frequentes sobre o que o Brasil exporta

Sim. Em 2025, o saldo da balança comercial foi positivo em US$ 68,1 bilhões, segundo os dados consolidados do MDIC, e de janeiro a setembro de 2026 o superávit chegou a US$ 62,4 bilhões.

Exporta. Aeronaves e equipamentos somaram US$ 4,9 bilhões em vendas externas em 2025, 1,4% do total, e estão entre os poucos bens de alto valor tecnológico com peso na pauta.

Não. A balança comercial do MDIC mede só a venda de bens. Serviços, como software e consultoria, aparecem nas estatísticas do balanço de pagamentos do Banco Central.

O MDIC divulga a balança comercial toda semana, com dados preliminares, e publica os números consolidados uma vez por mês, no início do mês seguinte.

Comece pelo mercado que já compra o que você faz

A pauta brasileira mostra que o espaço para o manufaturado está nas Américas e na Europa, e que a China compra sobretudo matéria-prima. Pegue o seu NCM, veja quem já compra do Brasil e mande a primeira amostra para quem tem histórico de pedido.

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