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CFR Incoterm: o que é custo e frete, quem paga e onde o risco passa

Leendert van Delft
Leendert van Delft
Vice-Presidente de Programas Globais de Vendas, Marketing (Digital) e Comércio Eletrônico Global
7 minutos de leitura
Navio porta-contêineres em carregamento no porto, ponto em que o risco passa no Incoterm CFR
Neste artigo
Vendedor paga o frete marítimo até o destino
Risco passa ao comprador a bordo, na origem
Ninguém é obrigado a contratar seguro
Para contêiner e aéreo, use CPT

O CFR Incoterm (Cost and Freight, ou custo e frete) é a regra em que o vendedor paga o frete marítimo até o porto de destino, mas o risco passa ao comprador quando a mercadoria é colocada a bordo do navio no porto de embarque. Vale só para transporte marítimo ou hidroviário e não obriga ninguém a contratar seguro.

A pegadinha está nesses dois pontos separados. Quem vende paga a viagem inteira, e por isso muita gente acha que ele também responde pela carga até a chegada. Não responde. Se o contêiner cair no mar no meio do Atlântico, o prejuízo é de quem comprou, e se ninguém fez seguro, ninguém recebe.

O que significa CFR no comércio exterior?

CFR é uma das 11 regras dos Incoterms, os termos da Câmara de Comércio Internacional (ICC) que dividem custos, riscos e tarefas entre vendedor e comprador. A edição em vigor é a Incoterms 2020, aplicada desde 1º de janeiro de 2020. Fonte: ICC, página oficial dos Incoterms, outubro de 2026.

No contrato, o CFR vem sempre acompanhado do porto de destino: "CFR Roterdã" significa que o vendedor contrata e paga o frete até Roterdã. O guia sobre o que são Incoterms mostra como as 11 regras se organizam.

A regra pertence ao grupo "C", em que o vendedor paga o transporte principal sem assumir o risco dele. É uma família com duas âncoras diferentes no mapa: uma para o dinheiro, outra para a responsabilidade.

Quem paga o quê no CFR?

O vendedor paga tudo até o navio chegar ao porto de destino; o comprador paga o que acontece a partir da descarga, além do seguro, se quiser ter um. A tabela detalha as obrigações mais comuns:

Obrigação

Vendedor

Comprador

Embalagem e marcação da carga

Sim

Não

Desembaraço de exportação

Sim

Não

Transporte até o porto e carregamento a bordo

Sim

Não

Frete marítimo até o porto de destino

Sim

Não

Seguro da carga durante a viagem

Não é obrigado

Não é obrigado, mas é quem perde se houver dano

Descarga no porto de destino

Só se estiver no contrato de frete

Sim, nos demais casos

Desembaraço de importação e tributos

Não

Sim

Transporte do porto ao armazém final

Não

Sim

A linha da descarga gera discussão com frequência. Se o contrato de frete que o vendedor fechou já incluía as despesas de descarga no destino, o vendedor não pode cobrá-las de novo do comprador. Leia a cotação do armador antes de fechar o preço CFR.

Onde o risco passa do vendedor para o comprador no CFR?

O risco passa no momento em que a mercadoria está a bordo do navio no porto de embarque. A partir daí, perda ou dano é problema do comprador, ainda que o frete tenha sido pago pelo vendedor.

Pense numa fabricante de revestimentos de Santa Catarina que vende CFR Hamburgo e embarca em Itajaí. A carga sobe a bordo na terça. Na sexta, uma tempestade danifica parte dos contêineres. A fabricante cumpriu a obrigação dela na terça; a perda é do importador alemão.

Para o vendedor brasileiro, o momento da entrega também tem efeito prático: é a prova de embarque, normalmente o conhecimento marítimo, que demonstra que a obrigação foi cumprida e que costuma destravar o pagamento.

Qual o cuidado com o seguro no CFR?

No CFR, ninguém é obrigado a contratar seguro, e é exatamente aí que mora o risco. O comprador vê que o frete está pago e supõe que o vendedor também segurou a carga. Quem vendeu, por sua vez, sabe que o risco já não é dele depois do embarque e não segura nada.

Se você compra em CFR, contrate o seguro de transporte de carga com cobertura a partir do porto de embarque, não da chegada. Se você vende em CFR com pagamento só após a chegada, avalie um seguro próprio: o risco é do comprador, mas o calote depois de um sinistro é seu.

Na importação para o Brasil, o seguro também entra na conta dos tributos. Segundo o Regulamento Aduaneiro, integram o valor aduaneiro o custo do transporte até o porto de descarga, os gastos de carga, descarga e manuseio até ali e o custo do seguro da mercadoria nessas operações. Fonte: Decreto nº 6.759/2009, art. 77, texto consolidado no Planalto, outubro de 2026. Numa compra CFR, o frete vem embutido no preço do fornecedor e o seguro que você contratar se soma à base.

Qual a diferença entre CFR, CIF e FOB?

As três regras são marítimas e transferem o risco no mesmo lugar: a bordo, no porto de embarque. O que muda é quem paga o frete e o seguro.

Regra

Frete marítimo

Seguro

Risco passa ao comprador

FOB

Comprador

Ninguém é obrigado

A bordo, no porto de embarque

CFR

Vendedor

Ninguém é obrigado

A bordo, no porto de embarque

CIF

Vendedor

Vendedor, com cobertura mínima

A bordo, no porto de embarque

Na comparação direta, o CFR é o Incoterm FOB com o frete passado para o vendedor, e o Incoterm CIF é o CFR com seguro obrigatório. Se o comprador quer que o vendedor resolva também o seguro, o CIF é o caminho.

Quando não usar o CFR?

Evite o CFR sempre que a carga não for embarcada diretamente pelo vendedor no costado do navio. É o caso típico do contêiner, entregue no terminal dias antes do embarque. Nesse intervalo, a carga já saiu das mãos do vendedor, mas o risco, pela regra, só passa a bordo, e ele fica respondendo por um período em que não controla nada.

Para contêineres e para qualquer modal que não seja o marítimo, a regra equivalente é o CPT Incoterm, em que o risco passa na entrega ao primeiro transportador. Em frete aéreo, o CFR simplesmente não se aplica.

Onde a regra continua fazendo sentido? Na carga a granel e na carga solta embarcada pelo próprio vendedor: grãos, minério, produtos siderúrgicos.

Perguntas frequentes sobre o CFR Incoterm

Na prática, sim: CNF e C&F são abreviações antigas ou informais de "cost and freight". A sigla oficial nos Incoterms é CFR, e usá-la no contrato evita discussão sobre o que foi combinado.

Sim. Escreva a regra, o porto de destino e a edição, por exemplo "CFR Hamburgo, Incoterms 2020". Sem a versão, cada parte pode alegar uma edição diferente, com obrigações diferentes.

A obrigação de quem vende termina ao colocar a carga a bordo no prazo combinado, então atraso durante a viagem não é, pela regra, inadimplemento do exportador. Se o comprador precisa de garantia de data de chegada, isso tem de estar escrito no contrato de compra e venda.

O vendedor, porque é ele quem contrata e paga o frete marítimo. Se você compra e quer escolher o armador, a rota ou o tempo de trânsito, negocie FOB, regra em que o frete passa para o comprador.

Como tirar o risco do caminho quando o envio não pode esperar o navio?

Para carga marítima volumosa, a regra funciona. Para amostras, peças de reposição e pedidos menores que precisam chegar em dias, o envio expresso aéreo leva a mercadoria porta a porta, com desembaraço e rastreio sob uma só responsabilidade.

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