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CPT Incoterm: frete pago até o destino e o risco na entrega ao transportador

Leendert van Delft
Leendert van Delft
Vice-Presidente de Programas Globais de Vendas, Marketing (Digital) e Comércio Eletrônico Global
7 minutos de leitura
Caminhão entrega carga paletizada em terminal aéreo, ponto em que o risco passa no Incoterm CPT
Neste artigo
Vendedor paga o frete até o destino nomeado
Risco passa na entrega ao primeiro transportador
Vale para qualquer modal, inclusive aéreo
Escreva no contrato o ponto de entrega

O CPT Incoterm (Carriage Paid To, ou transporte pago até) é a regra em que o vendedor contrata e paga o transporte até o destino combinado, mas o risco passa ao comprador quando a mercadoria é entregue ao primeiro transportador, ainda no país de origem. Serve para qualquer modal, inclusive aéreo, rodoviário e contêiner.

Quem vê "frete pago até Frankfurt" na proposta tende a imaginar que o vendedor responde pela carga até lá. Não responde. No CPT, a conta do frete e a responsabilidade pela carga se separam logo na saída, e é essa distância que gera a maior parte das brigas entre exportador e importador.

O que significa CPT nos Incoterms?

CPT é uma das 11 regras da edição Incoterms 2020 da Câmara de Comércio Internacional (ICC), em vigor desde 1º de janeiro de 2020. Fonte: ICC, página oficial dos Incoterms, outubro de 2026. Faz parte do grupo de regras que valem para qualquer meio de transporte, ao lado de EXW, FCA, CIP, DAP, DPU e DDP; o guia de o que são Incoterms explica a divisão completa.

O local que acompanha a sigla é o destino até onde o frete está pago: "CPT Aeroporto de Frankfurt". Só que a regra tem dois lugares críticos, e o contrato costuma mencionar apenas um. O segundo, o ponto de entrega onde o risco muda de mãos, precisa ser escrito também.

Uma redação que evita dúvida: "CPT Aeroporto de Frankfurt, Incoterms 2020, entrega no terminal de cargas de Viracopos". Em uma linha, as duas partes sabem onde o dinheiro termina e onde o risco começa.

Quem paga o quê no CPT?

O vendedor paga a embalagem, o desembaraço de exportação, a entrega ao transportador e o frete principal até o destino. O comprador assume a partir daí: descarga (salvo se estiver no frete contratado), desembaraço de importação, tributos e entrega final.

Obrigação

Vendedor

Comprador

Embalagem e marcação

Sim

Não

Desembaraço de exportação

Sim

Não

Entrega ao primeiro transportador

Sim

Não

Frete principal até o destino nomeado

Sim

Não

Seguro durante o transporte

Não é obrigado

Não é obrigado, mas é quem perde se houver dano

Descarga no destino

Só se estiver no contrato de frete

Sim, nos demais casos

Desembaraço de importação e tributos

Não

Sim

Repare na linha do seguro. Ninguém é obrigado a contratar, e o comprador carrega o risco de um trajeto que ele não escolheu nem pagou diretamente.

Onde o risco passa do vendedor para o comprador no CPT?

O risco passa quando a mercadoria é entregue ao transportador contratado pelo vendedor, no local de entrega combinado. Se houver dois ou mais transportadores e o contrato não disser nada, vale a entrega ao primeiro deles.

Veja como isso funciona num exemplo. Uma fabricante de peças de Belo Horizonte vende CPT Aeroporto de Frankfurt. Um caminhão leva a carga até Guarulhos, onde ela embarca num avião. Sem ponto de entrega no contrato, o risco passou em Belo Horizonte, na porta da fábrica, quando o motorista assinou o recebimento.

Isso quer dizer que um acidente na estrada até o aeroporto, em tese, já é problema do importador alemão. Se as partes queriam que o risco passasse só no terminal de Guarulhos, isso precisa estar escrito.

Por que o CPT é o equivalente do CFR para carga aérea e contêiner?

Porque o CFR só vale para transporte marítimo com a carga posta a bordo do navio, e o CPT repete a mesma lógica, frete pago pelo vendedor e risco na origem, para qualquer modal. É a escolha certa quando a carga é entregue num terminal antes de embarcar, como acontece com contêineres e com toda carga aérea.

A tabela compara as regras do grupo "C" com a FCA, que divide o risco no mesmo ponto:

Regra

Modal

Frete principal

Seguro

Risco passa ao comprador

FCA

Qualquer

Comprador

Ninguém é obrigado

Na entrega ao transportador

CPT

Qualquer

Vendedor

Ninguém é obrigado

Na entrega ao transportador

CIP

Qualquer

Vendedor

Vendedor, cobertura ampla

Na entrega ao transportador

CFR

Só marítimo

Vendedor

Ninguém é obrigado

A bordo do navio

CIF

Só marítimo

Vendedor

Vendedor, cobertura mínima

A bordo do navio

Quem já usa CFR Incoterm no marítimo e passa a mandar carga de avião deveria migrar para CPT, e não manter a sigla antiga por hábito.

Qual a diferença entre CPT e FCA?

O risco passa no mesmo lugar, na entrega ao transportador. A diferença está em quem escolhe e paga o frete principal: no CPT é o vendedor, no Incoterm FCA é o comprador.

Para o exportador brasileiro, o CPT faz sentido quando ele tem tarifas negociadas e quer controlar prazo e rota. Para o importador, o FCA faz sentido quando ele tem um agente de carga de confiança na origem. Escolha pela força de negociação de cada lado no frete, não pelo costume.

Como o CPT funciona na importação para o Brasil?

Na compra em CPT, o frete vem embutido no preço do fornecedor, e isso afeta a base dos tributos. Pelo Regulamento Aduaneiro, o valor aduaneiro inclui o transporte até o porto ou aeroporto de descarga, os gastos de carga, descarga e manuseio até ali e o seguro dessas operações; os gastos ocorridos já no território nacional ficam fora quando vêm destacados. Fonte: Decreto nº 6.759/2009, art. 77, com redação do Decreto nº 11.090/2022, Planalto, outubro de 2026.

Na prática: se o fornecedor vende CPT Jundiaí, com chegada aérea em Guarulhos e um trecho rodoviário do aeroporto até a sua fábrica, peça que esse trecho venha separado na fatura comercial. Sem o destaque, você corre o risco de pagar imposto sobre um frete que aconteceu dentro do Brasil.

O seguro que você contratar por conta própria também entra na base. Ele continua valendo a pena: no CPT, a carga viaja por sua conta e risco desde a origem. Se você quer o seguro já pago pelo fornecedor, negocie CIP, que na edição 2020 exige cobertura equivalente às Institute Cargo Clauses (A), enquanto o Incoterm CIF mantém como padrão as cláusulas (C). Fonte: ICC, outubro de 2026.

Quando o CPT combina com carga aérea?

Combina quando o vendedor tem acesso a frete aéreo competitivo e o comprador quer saber o custo de chegada antes de fechar o pedido. Peças de reposição e componentes eletrônicos com prazo curto são exemplos típicos.

O ponto fraco é o risco cedo demais para o comprador, num modal em que a carga troca de mãos ao menos três vezes: caminhão, terminal e avião. O guia de transporte aéreo de carga mostra cada etapa desse caminho e onde o manuseio acontece.

Perguntas frequentes sobre o CPT Incoterm

Pode ser usado, mas descreve mal o acordo. Quando o vendedor responde pela carga até o endereço do comprador, as regras do grupo D, como DAP e DDP, refletem melhor quem carrega o risco no caminho.

Significa que o preço informado já inclui o transporte até o local nomeado depois da sigla. O comprador não paga frete principal à parte, mas assume o risco desde a entrega ao transportador na origem.

Vale. Os Incoterms servem para qualquer modal e o CPT funciona bem no rodoviário: o risco passa quando o caminhão contratado pelo vendedor recebe a carga na origem, e o frete até a cidade de destino fica no preço.

Deveria. Sem ele, o risco passa na entrega ao primeiro transportador, que pode ser um caminhão na porta da fábrica e não o terminal do aeroporto que as partes tinham em mente.

O seu envio cabe numa caixa e não pode esperar?

O CPT organiza bem a carga aérea consolidada. Para amostras, peças urgentes e pedidos menores, o envio expresso aéreo leva a mercadoria porta a porta, com desembaraço e rastreio sob uma só responsabilidade, sem trocar de mãos entre fornecedores diferentes.

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