Pode ser usado, mas descreve mal o acordo. Quando o vendedor responde pela carga até o endereço do comprador, as regras do grupo D, como DAP e DDP, refletem melhor quem carrega o risco no caminho.
O CPT Incoterm (Carriage Paid To, ou transporte pago até) é a regra em que o vendedor contrata e paga o transporte até o destino combinado, mas o risco passa ao comprador quando a mercadoria é entregue ao primeiro transportador, ainda no país de origem. Serve para qualquer modal, inclusive aéreo, rodoviário e contêiner.
Quem vê "frete pago até Frankfurt" na proposta tende a imaginar que o vendedor responde pela carga até lá. Não responde. No CPT, a conta do frete e a responsabilidade pela carga se separam logo na saída, e é essa distância que gera a maior parte das brigas entre exportador e importador.
CPT é uma das 11 regras da edição Incoterms 2020 da Câmara de Comércio Internacional (ICC), em vigor desde 1º de janeiro de 2020. Fonte: ICC, página oficial dos Incoterms, outubro de 2026. Faz parte do grupo de regras que valem para qualquer meio de transporte, ao lado de EXW, FCA, CIP, DAP, DPU e DDP; o guia de o que são Incoterms explica a divisão completa.
O local que acompanha a sigla é o destino até onde o frete está pago: "CPT Aeroporto de Frankfurt". Só que a regra tem dois lugares críticos, e o contrato costuma mencionar apenas um. O segundo, o ponto de entrega onde o risco muda de mãos, precisa ser escrito também.
Uma redação que evita dúvida: "CPT Aeroporto de Frankfurt, Incoterms 2020, entrega no terminal de cargas de Viracopos". Em uma linha, as duas partes sabem onde o dinheiro termina e onde o risco começa.
O vendedor paga a embalagem, o desembaraço de exportação, a entrega ao transportador e o frete principal até o destino. O comprador assume a partir daí: descarga (salvo se estiver no frete contratado), desembaraço de importação, tributos e entrega final.
Obrigação | Vendedor | Comprador |
Embalagem e marcação | Sim | Não |
Desembaraço de exportação | Sim | Não |
Entrega ao primeiro transportador | Sim | Não |
Frete principal até o destino nomeado | Sim | Não |
Seguro durante o transporte | Não é obrigado | Não é obrigado, mas é quem perde se houver dano |
Descarga no destino | Só se estiver no contrato de frete | Sim, nos demais casos |
Desembaraço de importação e tributos | Não | Sim |
Repare na linha do seguro. Ninguém é obrigado a contratar, e o comprador carrega o risco de um trajeto que ele não escolheu nem pagou diretamente.
O risco passa quando a mercadoria é entregue ao transportador contratado pelo vendedor, no local de entrega combinado. Se houver dois ou mais transportadores e o contrato não disser nada, vale a entrega ao primeiro deles.
Veja como isso funciona num exemplo. Uma fabricante de peças de Belo Horizonte vende CPT Aeroporto de Frankfurt. Um caminhão leva a carga até Guarulhos, onde ela embarca num avião. Sem ponto de entrega no contrato, o risco passou em Belo Horizonte, na porta da fábrica, quando o motorista assinou o recebimento.
Isso quer dizer que um acidente na estrada até o aeroporto, em tese, já é problema do importador alemão. Se as partes queriam que o risco passasse só no terminal de Guarulhos, isso precisa estar escrito.
Porque o CFR só vale para transporte marítimo com a carga posta a bordo do navio, e o CPT repete a mesma lógica, frete pago pelo vendedor e risco na origem, para qualquer modal. É a escolha certa quando a carga é entregue num terminal antes de embarcar, como acontece com contêineres e com toda carga aérea.
A tabela compara as regras do grupo "C" com a FCA, que divide o risco no mesmo ponto:
Regra | Modal | Frete principal | Seguro | Risco passa ao comprador |
FCA | Qualquer | Comprador | Ninguém é obrigado | Na entrega ao transportador |
CPT | Qualquer | Vendedor | Ninguém é obrigado | Na entrega ao transportador |
CIP | Qualquer | Vendedor | Vendedor, cobertura ampla | Na entrega ao transportador |
CFR | Só marítimo | Vendedor | Ninguém é obrigado | A bordo do navio |
CIF | Só marítimo | Vendedor | Vendedor, cobertura mínima | A bordo do navio |
Quem já usa CFR Incoterm no marítimo e passa a mandar carga de avião deveria migrar para CPT, e não manter a sigla antiga por hábito.
O risco passa no mesmo lugar, na entrega ao transportador. A diferença está em quem escolhe e paga o frete principal: no CPT é o vendedor, no Incoterm FCA é o comprador.
Para o exportador brasileiro, o CPT faz sentido quando ele tem tarifas negociadas e quer controlar prazo e rota. Para o importador, o FCA faz sentido quando ele tem um agente de carga de confiança na origem. Escolha pela força de negociação de cada lado no frete, não pelo costume.
Na compra em CPT, o frete vem embutido no preço do fornecedor, e isso afeta a base dos tributos. Pelo Regulamento Aduaneiro, o valor aduaneiro inclui o transporte até o porto ou aeroporto de descarga, os gastos de carga, descarga e manuseio até ali e o seguro dessas operações; os gastos ocorridos já no território nacional ficam fora quando vêm destacados. Fonte: Decreto nº 6.759/2009, art. 77, com redação do Decreto nº 11.090/2022, Planalto, outubro de 2026.
Na prática: se o fornecedor vende CPT Jundiaí, com chegada aérea em Guarulhos e um trecho rodoviário do aeroporto até a sua fábrica, peça que esse trecho venha separado na fatura comercial. Sem o destaque, você corre o risco de pagar imposto sobre um frete que aconteceu dentro do Brasil.
O seguro que você contratar por conta própria também entra na base. Ele continua valendo a pena: no CPT, a carga viaja por sua conta e risco desde a origem. Se você quer o seguro já pago pelo fornecedor, negocie CIP, que na edição 2020 exige cobertura equivalente às Institute Cargo Clauses (A), enquanto o Incoterm CIF mantém como padrão as cláusulas (C). Fonte: ICC, outubro de 2026.
Combina quando o vendedor tem acesso a frete aéreo competitivo e o comprador quer saber o custo de chegada antes de fechar o pedido. Peças de reposição e componentes eletrônicos com prazo curto são exemplos típicos.
O ponto fraco é o risco cedo demais para o comprador, num modal em que a carga troca de mãos ao menos três vezes: caminhão, terminal e avião. O guia de transporte aéreo de carga mostra cada etapa desse caminho e onde o manuseio acontece.
Pode ser usado, mas descreve mal o acordo. Quando o vendedor responde pela carga até o endereço do comprador, as regras do grupo D, como DAP e DDP, refletem melhor quem carrega o risco no caminho.
Significa que o preço informado já inclui o transporte até o local nomeado depois da sigla. O comprador não paga frete principal à parte, mas assume o risco desde a entrega ao transportador na origem.
Vale. Os Incoterms servem para qualquer modal e o CPT funciona bem no rodoviário: o risco passa quando o caminhão contratado pelo vendedor recebe a carga na origem, e o frete até a cidade de destino fica no preço.
Deveria. Sem ele, o risco passa na entrega ao primeiro transportador, que pode ser um caminhão na porta da fábrica e não o terminal do aeroporto que as partes tinham em mente.
O CPT organiza bem a carga aérea consolidada. Para amostras, peças urgentes e pedidos menores, o envio expresso aéreo leva a mercadoria porta a porta, com desembaraço e rastreio sob uma só responsabilidade, sem trocar de mãos entre fornecedores diferentes.
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