#Logística

NCM: o que é e como classificar o produto para importar e exportar

Leendert van Delft
Leendert van Delft
Vice-Presidente de Programas Globais de Vendas, Marketing (Digital) e Comércio Eletrônico Global
8 minutos de leitura
Analista confere o código NCM na etiqueta de uma caixa com café em grão para exportação
Neste artigo
NCM tem 8 dígitos: 6 do Sistema Harmonizado e 2 do Mercosul
Classificação segue as RGI, as regras do Mercosul e as NESH
Classif listava 10.516 códigos vigentes em 21/10/2026
Erro de NCM: multa de 1% do valor aduaneiro, mínimo R$ 500

A NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) é o código de oito dígitos que identifica cada mercadoria no comércio exterior do Brasil, da Argentina, do Paraguai e do Uruguai. Os seis primeiros dígitos vêm do Sistema Harmonizado internacional e os dois últimos são abertos pelo Mercosul. É esse código que define imposto, licença e controle do produto.

Parece só um campo da fatura, mas um dígito trocado muda a alíquota, pode exigir licença que você não pediu e gera multa mesmo quando o imposto pago estava certo. Este guia mostra como ler o código, como chegar à classificação correta e onde conferir antes de embarcar.

O que a NCM define na prática?

Quase tudo. O código liga o seu produto às regras de importação e exportação: quando você informa o código na declaração, o sistema puxa automaticamente a alíquota do Imposto de Importação, a do IPI e o tratamento administrativo, que diz se a operação precisa de licença ou anuência de algum órgão.

O mesmo código aparece na nota fiscal eletrônica, na Duimp, na DUE de exportação e no Catálogo de Produtos do Portal Único. O erro nunca fica num documento só. Ele se espalha do fornecedor ao estoque.

Na prática, o código responde a três perguntas que o fiscal e o seu financeiro fazem sobre a mesma caixa:

  • quanto de tributo a mercadoria paga na entrada;
  • se ela depende de anuência (Anvisa, Mapa, Inmetro e outros órgãos);
  • em que estatística de comércio exterior ela entra.

Como ler os oito dígitos da NCM?

Cada par de dígitos fecha mais o foco, do grupo amplo até o produto específico. O Parecer Normativo Cosit nº 6/2018, da Receita Federal, chama os níveis de capítulo, posição, subposição, item e subitem. A tabela usa o café verde em grão, código que o Brasil exporta todos os dias, como exemplo:

Nível

Dígitos

Exemplo

O que descreve

Capítulo

09

09

Café, chá, mate e especiarias

Posição

4 primeiros

09.01

Café, mesmo torrado ou descafeinado

Subposição

5º e 6º

0901.11

Café não torrado, não descafeinado

Item

7º

0901.11.1

Em grão

Subitem

8º

0901.11.10

Em grão (código final)

Fonte: Receita Federal e tabela NCM do Portal Único Siscomex, vigente em 21 de outubro de 2026.

Quando o código termina em 00, como 0901.21.00 (café torrado não descafeinado), o Mercosul não abriu nenhuma divisão além da subposição internacional. O código continua tendo oito dígitos e é usado assim mesmo.

Qual a diferença entre NCM e código HS?

O código HS é a base internacional de seis dígitos mantida pela Organização Mundial das Aduanas, e a NCM acrescenta dois dígitos próprios do Mercosul. O funcionamento do HS e como usá-lo com compradores de outros países estão no guia sobre códigos HS.

O ponto que interessa ao seu planejamento é o calendário. Segundo a Organização Mundial das Aduanas, a 8ª edição do Sistema Harmonizado entra em vigor em 1º de janeiro de 2028, com 299 conjuntos de alterações, incluindo posições novas para vacinas e suplementos alimentares (Fonte: OMA, janeiro de 2026). Como a NCM segue o HS nos seis primeiros dígitos, códigos que você usa hoje podem mudar. Revise o cadastro de produtos quando a tabela de correlação for publicada.

Como classificar um produto na NCM, passo a passo?

A classificação segue regras escritas, não intuição. São as seis Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), as duas Regras Gerais Complementares do Mercosul e as Notas Explicativas (NESH), que a Receita usa de forma subsidiária. O caminho que funciona na rotina:

  1. Descreva o produto como um técnico descreveria: material, composição, função principal, forma de apresentação e uso. "Acessório para celular" não classifica nada; "capa de silicone para smartphone" já indica um caminho.
  2. Encontre o capítulo e a posição pelo texto das posições e pelas notas de seção e de capítulo. É a RGI 1, e ela resolve a maior parte dos casos.
  3. Aplique as RGI 2 a 5 só quando a RGI 1 não bastar: produto incompleto ou desmontado, mistura de materiais, conjunto vendido junto, embalagem.
  4. Desça para subposição, item e subitem com a RGI 6 e as regras complementares do Mercosul, comparando apenas códigos do mesmo nível.
  5. Confira na tabela oficial e na Nota Explicativa se o texto do código descreve mesmo o que você vende.
  6. Registre o raciocínio. Em uma fiscalização, a justificativa por escrito vale tanto quanto o código.

Um exemplo da própria Receita ajuda a entender a RGI 2(a): uma bicicleta vendida desmontada é classificada como bicicleta, não como peças avulsas.

Onde consultar a NCM oficial?

A fonte oficial é o Classif, sistema de consulta da NCM no Portal Único Siscomex, onde dá para buscar por código, por palavra ou navegando pela árvore. Em 21 de outubro de 2026, a tabela publicada ali tinha 10.516 códigos de oito dígitos vigentes, com base na Resolução Gecex nº 926/2026 (Fonte: Portal Único Siscomex).

Com tanto código, a busca por palavra engana. Digitar "mochila" devolve opções em capítulos diferentes conforme o material, e só as notas do capítulo dizem qual delas serve. Leia as notas.

Quando a dúvida persiste, a Receita aceita consulta formal sobre classificação fiscal, regida pela Instrução Normativa RFB nº 2.057/2021, com um produto por processo. A solução de consulta publicada vincula a Receita e pode ser usada por qualquer empresa com a mesma mercadoria. Antes de abrir a sua, pesquise o ementário de soluções já publicadas. Com frequência, alguém já perguntou.

Quanto custa errar a NCM?

O custo direto é uma multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente, com mínimo de R$ 500, prevista no artigo 711 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009). Ela é aplicada mesmo que a diferença de imposto seja zero, porque o que se pune é a informação errada.

O custo indireto pesa mais. Se o código correto tem alíquota maior, você paga a diferença com juros. Se ele exige licença de importação, a mercadoria fica parada até a anuência sair, e a armazenagem corre por dia. O que as licenças e os órgãos anuentes pedem está no guia de licença de importação.

O erro mais comum na rotina é copiar o código da fatura do fornecedor. Ele conhece a tabela do país dele, com seis dígitos em comum e o resto diferente, e não responde pela classificação no Brasil. Quem responde é você.

A NCM também vale para exportar?

Vale. Na exportação, o código vai na nota fiscal e na DUE, e os seis primeiros dígitos são o que o país de destino vai reconhecer. Lá fora, o importador usa o código nacional dele, que parte do mesmo HS e acrescenta dígitos próprios.

Por isso vale mandar ao comprador o código HS de seis dígitos na fatura comercial e deixar que ele valide a extensão local. O passo a passo do embarque, da habilitação aos documentos, está no guia de exportação.

Perguntas frequentes sobre NCM

Não. A NCM classifica a mercadoria para o comércio exterior e para a nota fiscal, enquanto o CEST é um código usado no ICMS por substituição tributária. Um produto pode ter os dois, e um não substitui o outro.

Pode usar como ponto de partida, nunca como resposta final. O fornecedor costuma informar o código do país dele, que só coincide com a NCM nos seis primeiros dígitos, e a responsabilidade pela classificação no Brasil é do importador.

A própria empresa pode classificar, desde que siga as regras gerais de interpretação e documente o raciocínio. Quando o produto é novo ou cabe em mais de um código, o caminho seguro é o apoio de um despachante aduaneiro ou a consulta formal à Receita Federal.

Muda. Alíquotas e desdobramentos do Mercosul são alterados por resoluções do Gecex ao longo do ano, e as mudanças estruturais acompanham as revisões do Sistema Harmonizado. Confira o código no Classif sempre que for cadastrar ou revisar um produto.

Classifique certo e envie com quem conhece a aduana

Com a NCM revisada e documentada, o despacho deixa de ser uma loteria e o custo de cada embarque fica previsível. Se a sua empresa importa ou exporta com frequência, ter uma conta de courier expresso internacional facilita o envio de amostras e de pedidos menores enquanto você acerta o cadastro.

Para enviar e receber com desembaraço feito por especialistas, abra sua conta DHL Express.