Ela não tem valor fiscal e não serve para instruir o despacho aduaneiro. Entre comprador e vendedor, porém, uma proforma assinada pelas duas partes costuma valer como confirmação do pedido e pode ser usada como prova do que foi combinado.
Proforma invoice é a fatura preliminar que o exportador envia antes de a venda se concretizar. Ela descreve produto, quantidade, preço, condição de entrega e forma de pagamento, e serve para o comprador aprovar o pedido, fechar câmbio e pedir licenças. Não tem valor fiscal e não substitui a fatura comercial no desembaraço.
O problema aparece quando a proforma é tratada como documento final. O fornecedor muda o preço depois do aceite, o banco recebe um papel com um valor e a aduana recebe outro, e a carga chega ao Brasil com dois números brigando entre si. Entender para que serve cada fatura evita essa confusão.
As duas grafias aparecem e as duas estão certas. "Pro forma" vem do latim e quer dizer "por formalidade": um documento feito para dar forma a algo que ainda não aconteceu. Em português também se usa "fatura proforma".
No comércio exterior, a proforma invoice funciona como uma cotação formal assinada pelo vendedor. Ela antecipa o que vai estar na fatura comercial se o pedido for confirmado. Até lá, é uma proposta.
Há um segundo uso do termo, comum no envio expresso: a "proforma" que acompanha remessa sem venda, como amostra ou presente, para declarar um valor à aduana. É outro documento, com outra função, tratado mais adiante.
Não há modelo legal para a proforma invoice, porque ela não é documento de despacho. Mesmo assim, quanto mais ela se parecer com a futura fatura comercial, menos retrabalho você terá. Peça ao fornecedor que inclua:
O prazo de validade merece atenção. Preço de insumo e frete mudam, e proforma sem validade vira discussão quando o fornecedor reajusta três semanas depois. Para escolher o Incoterm com consciência, o guia sobre o que são Incoterms ajuda a entender quem paga o quê até onde.
Ela é o ponto em que a conversa vira número. E-mail com "preço aproximado" não fecha negócio; proforma com quantidade, Incoterm e condição de pagamento fecha.
Quando você assina e devolve a proforma invoice, ela costuma funcionar como confirmação do pedido. A partir daí, o fornecedor programa a produção e você organiza o resto da operação, do câmbio ao despacho, etapas que o guia de importação mostra em sequência. Por isso vale ler a proforma como se fosse contrato: confira se a descrição do produto é a mesma que você vai declarar no Brasil, se o Incoterm bate com o frete que você cotou e se a condição de pagamento é a combinada.
Um exemplo simples: você importa 500 peças a US$ 12 cada, FCA na fábrica, com 30% de sinal. Se a proforma chegar como FOB, o frete interno no país de origem mudou de mão sem ninguém avisar. Corrija antes de pagar o sinal, não depois.
No pagamento antecipado, a proforma é normalmente o documento que mostra ao banco o que está sendo pago. Pelas regras do Banco Central, o pagamento de importação pode ser antecipado em até 360 dias da data prevista para o embarque, e em até 1.800 dias para máquinas e equipamentos de longo ciclo de produção ou feitos sob encomenda. Fonte: Banco Central do Brasil, Resolução BCB nº 277/2022, art. 47, texto vigente em outubro de 2026.
A mesma resolução (art. 21) obriga o banco a avisar que, se a operação que justificou a remessa não se concretizar, o comprador da moeda precisa trazer os recursos de volta ao país. Ou seja: o dinheiro sai com base numa promessa, e a proforma é o registro dessa promessa.
Na dúvida entre antecipado, cobrança ou carta de crédito, o guia de pagamento internacional compara essas modalidades e os riscos de cada lado.
Serve como base de dados. Produtos sujeitos a anuência de órgãos como Anvisa, Inmetro ou Ministério da Agricultura podem exigir licença antes do embarque, e os dados do pedido (produto, quantidade, valor, fornecedor) saem justamente da proforma, porque a fatura comercial ainda não existe.
Isso cria uma regra prática: a mercadoria embarcada precisa corresponder ao que foi licenciado. Se a fatura comercial vier com quantidade ou descrição diferente da proforma usada na licença, a divergência aparece no despacho. Como funciona cada tipo de licença e quais órgãos atuam está em licença de importação e órgãos anuentes.
A diferença é de momento e de valor jurídico. A proforma invoice vem antes da venda e propõe; a fatura comercial vem com o embarque e comprova. A tabela mostra onde cada uma atua:
Ponto | Proforma invoice | Fatura comercial |
Quando é emitida | Antes da confirmação do pedido | No embarque, com a venda concretizada |
Natureza | Proposta ou cotação formal | Documento da transação |
Uso principal | Negociação, câmbio antecipado, licenças | Despacho aduaneiro e cálculo de tributos |
Aceita para instruir a declaração de importação? | Não | Sim, a via original assinada pelo exportador |
Pode mudar depois? | Sim, por nova versão | Correção só por emenda autenticada |
O ponto que mais importa: a declaração de importação é instruída com a via original da fatura comercial, com as 14 indicações do art. 557 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009). Se ela não for apresentada, o mesmo regulamento (art. 703) prevê multa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o arbitrado ou efetivamente praticado. Proforma não cumpre esse papel. Os campos da fatura definitiva estão no guia da fatura comercial.
No envio expresso, "proforma" costuma nomear a fatura de uma remessa sem venda: amostra grátis, presente, peça em garantia. Ela declara o conteúdo e um valor para fins aduaneiros, porque todo item que cruza a fronteira precisa de valor, mesmo quando ninguém pagou por ele. Fonte: DHL Express, orientações sobre faturas para aduana.
Duas regras práticas valem aqui. Descreva o item com precisão, porque a DHL Express orienta que termos genéricos como "presente" ou "amostra" não bastam para a aduana classificar a mercadoria. E declare um valor realista, nunca simbólico.
Ela não tem valor fiscal e não serve para instruir o despacho aduaneiro. Entre comprador e vendedor, porém, uma proforma assinada pelas duas partes costuma valer como confirmação do pedido e pode ser usada como prova do que foi combinado.
O exportador, que é quem vende. O importador pede a proforma para avaliar a proposta, organizar o pagamento e providenciar licenças antes de a mercadoria ser produzida ou embarcada.
Pode, e é o caso típico do pagamento antecipado. O banco fecha o câmbio com base na operação descrita, e a fatura comercial chega depois, com o embarque. Confira que os dados bancários da proforma são os mesmos do cadastro do fornecedor antes de transferir.
Não precisa ser idêntica, mas deve ser coerente. Quantidade, descrição e preço podem ser ajustados em nova proforma, desde que a fatura comercial final reflita a venda real e bata com o que foi licenciado e pago.
Deveria ter, e cabe a você exigir. Uma proforma sem validade deixa o fornecedor livre para reajustar preço quando quiser, e o seu custo de importação fica em aberto até o embarque.
A proforma bem negociada já contém metade da fatura comercial: mesmos produtos, mesmas descrições, mesmo Incoterm. Mantenha os dois documentos alinhados e o despacho anda sem surpresa. Se você importa ou exporta com frequência e quer documentação e envio no mesmo lugar, abra sua conta DHL Express e organize seus embarques internacionais com a fatura gerada no próprio agendamento.